Legião Urbana Uma Outra Estação
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Nas próprias águas Ex-baterista da Legião Urbana, Marcelo Bonfá lança disco solo

Bernardo Scartezini Da equipe do Correio

Anderson Schneider

Marcelo Bonfá vai direto ao ponto. ''Eu poderia estar na praia agora, tomando sol.'' Mas ele não está na praia, apesar da tarde de sol e do céu limpo no Rio de Janeiro. O ex-baterista da Legião Urbana está no escritório de seu empresário, Rafael Borges. O mais discreto dos legionários cumpre uma maratona de entrevistas. Está lançando seu primeiro disco solo, O Barco Além do Sol. Aos 35 anos, Bonfá agora ocupa o centro das atenções. Na fase final daquilo que chama de ''processo natural''. Processo que vem desde a morte do amigo e companheiro de banda Renato Russo, em outubro de 1996. Foi quando começou a pensar em engatilhar um trabalho solitário. ''É triste, não queria falar nessas coisas...'', suspira. Mas o próprio nome do primeiro disco solo evoca ''essas coisas''. Afinal, o ''barco'' é Bonfá. O ''sol'', a Legião Urbana na metáfora involuntária cometida pelo filho mais novo do baterista, Tiago, de 7 anos, que sugeriu ao papai esse título. ''O disco traz uma evolução do que é o trabalho de Marcelo Bonfá'', explica o músico. Bonfá, como álibi, lembra que ninguém escreve letras como Renato Russo. E garante não dar bola para as homenagens ao compositor, como a criação do Memorial Renato Russo em Brasília (''façam o que quiserem, confesso que não vou me preocupar com isso''). Mas comparações com a Legião são inevitáveis. E Bonfá parece procurá-las. Ele próprio escolheu Depois da Chuva como música de trabalho. O single, que toca roda nas rádios há quase um mês, foi escolhido pelo parentesco com a sonoridade da ex-banda. ''Essa música, apesar de ter sido a última composta para o álbum, quando já estávamos no estúdio, soa como a ponte entre a Legião e o Bonfá solo'', acredita. ''A Legião é minha escola. Natural que meu som tenha semelhanças com o trabalho da banda'', completa o batera, lembrando que, durante as gravações, o que ouvia mesmo era a banda galesa Manic Street Preachers e o pop oitentão do Prefab Sprout. Pela primeira vez desde que foi recrutado por Renato Russo da banda candanga SLU para formar a Legião Urbana, o carioca Marcelo Bonfá se viu sozinho na hora de compor suas canções. Na Legião, o trabalho era uma espécie de ''telefone sem fio'' com Renato e o guitarrista Dado Villa-Lobos. ''Normalmente eu vinha com um groove de bateria e o Dado criava algo em cima, com Renato fazendo a melodia dos vocais, antes de escrever as letras. No fim do trabalho, todo mundo tinha metido a mão.'' Com o material de O Barco Além do Sol, o processo criativo começou ao teclado - o mesmo que o levou a desenhar a melodia de Angra dos Reis, de Que País é Este (disco da Legião de 87). Depois, Bonfá colocou baixo e guitarra nas fitas e, sobre arranjo, cantou em bonfês, seu idioma próprio, numa enrolação desconexa de palavras em português e inglês, que servia para dar uma idéia da harmonia vocal. Na hora de gravar, pediu ajuda ao guitarrista Gian Fabra (que acompanhou a Legião nos últimos shows) e ao tecladista e arranjador Carlos Trilha (parceiro de Renato em seus discos solo). Quando entrou a fase das letras pra valer, Bonfá pediu ajuda para letristas com quem tinha contato mais próximo. John e Fernanda Takai, do Pato Fu, escreveram os versos de Ouro em Pó. Fernanda, sozinha, fez De um Jeito ou de Outro. E o carioca Fausto Fawcett assinou Aurora no Subúrbio. As colaborações com o paralama Herbert Vianna e com Arnaldo Antunes foram arquivadas, por não terem ''a cara do disco''. As demais letras são de lavra própria. Bonfá, a princípio, queria disponibilizar as canções em seu site. Mas a Trama atravessou o ritmo e se dispôs a lançar o disco. Agora o ex-legionário pensa até em shows para promover o CD. Mas ainda não tem datas marcadas. ''Fiz o disco com muito carinho, e quero que os shows também sejam dessa forma: algo com significado especial para mim.'' O significado especial deste O Barco Além do Sol, para seu autor, está resumido nos dois primeiros versos do disco, que abrem Depois da Chuva: ''Eu quero olhar ao meu redor/ E ver além do que meus olhos podem ver''. ''Acho que, de certa forma, mantive em mim a célula inconformista da Legião'', arrisca Bonfá. ''O mundo está tão ruim, tudo está tão poluído. Mas procuro falar do que gosto, de minha família, de meus amigos verdadeiros. Esse disco tem um astral bom, um otimismo que retrata como eu sou.''

SERVIÇO

O BARCO ALÉM DO SOL Primeiro CD solo do músico carioca Marcelo Bonfá. 10 faixas, com produção de Carlos Trilha e Bonfá. Lançamento Trama Music. Preço médio: R$ 22,00. Página na internet: www.mbonfa.com

Crítica - Barco aquém do Sol

Para Marcelo Bonfá, o (baita) desafio neste O Barco Além do Sol é fugir da sombra (assombração?) de Renato Russo. Poderia ter feito como Charlie Watts, que, longe dos Rolling Stones, tem um quinteto de jazz. Mas preferiu o caminho de Dave Grohl, que, nos Foo Fighters, regurgita a sonoridade do finado Nirvana. Depois da Chuva, agora numa rádio perto de você, já demonstra que Bonfá não está aqui para surpreender ninguém. A música começa numa progressão de acordes ao estilo Legião Urbana. Batida pop anos 80, sem firula. Com letra poética que arrisca um ''há tempos eu sei que não sei viver sem carinho''. Mais adiante, a folky Vera Cruz ameaça enfartar o ouvinte, com a introdução exageradamente parecida com a de Quando o Sol Bater na Janela do seu Quarto: ''Quando a luz cobrir de ouro e sol...''. Tudo bem que Bonfá siga a cartilha pop da Legião. O diabo é que as melodias, tão calcadas na ex-banda, acabam pedindo harmonia vocal que exige uma voz com extensão que a de Bonfá, miudinha, não tem. Levadas no fio de voz, são dezcanções pop tranqüilas. Falta ao repertório um crescendo. As músicas se assemelham em demasia, sem maiores distinções melódicas ou rítmicas. Não fedem, não cheiram. Destacam-se, apenas, De um Jeito ou de Outro (parceria com Fernanda Takai), com refrão marcado e rocker, e o pop redondo com aquela guitarra à Smiths de Aurora no Subúrbio (parceria com Fausto Fawcett). Agora, há algo de errado num disco que tem em Fausto Fawcett um de seus melhores momentos, não? (B.S.)

 

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