Legião Urbana Uma Outra Estação
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Diário de Pernambuco, junho de 2000

Filhos dos Oitenta à casa tornam

Capital Inicial, Engenheiros do Hawaii e Marcelo Bonfá lançam CDs com músicas marcantes da década

Débora Nascimento Da equipe do DIARIO

Há um bom tempo, o rock nacional oriundo dos anos oitenta está devendo uma obra criativa, interessante, surpreendente. A última leva de discos lançados passa longe disso. Ela aponta para a mesma frase: já escutei essa música antes. Além do Titãs, Paralamas e Kid Abelha, estamos falando do novos CDs do Capital Inicial, Engenheiros do Hawaii e a estréia solo do ex-baterista da Legião Urbana, Marcelo Bonfá.

Ao ler esses três nomes, muita gente deve ter sentido um calafrio na espinha. Realmente, não é fácil. Iniciando pelo Capital: a banda surgida em 1984, em Brasília, passou por maus bocados, em 1993, com a saída de Dinho Ouro Preto. O retorno do vocalista, em 1998, na comemoração dos 15 anos da banda, foi uma possibilidade de emplacar no competitivo mercado dos anos 90.

Dois anos depois, o grupo recebeu o convite para realizar o unplugged MTV. Aí, está a questão: uma banda passa cinco anos sem tocar com seu principal vocalista e reaparece defendendo o mesmo repertório?! "É engraçado, mas não sei o que atrai os artistas a fazerem um acústico. Deve ser a mudança na rotina, boa para dar uma respirada. É um desafio, pegar a música que a gente conhece e fazer um arranjo diferente", argumenta o baixista Flávio Lemos.

No entanto, a banda não quis realizar um acústico tradicional, com orquestras, cordas, entre outras grandiloqüências. "É este tipo de acústico que a gente não gosta. Os primeiros foram mais despojados. Deixavam os artistas mais próximos. Eles e o violão. Mas o negócio foi desvirtuando. Por isto, a gente quis fazer uma coisa simples e básica", conta o músico.

Também ao contrário de outros acústicos, a banda não dispôs de vários convidados. Os dois únicos são Kiko Zambianchi e Zélia Duncan. "Primeiro, pensamos em muitos amigos, trazer o pessoal de Brasília. Pegaríamos desde os mais antigos, até os mais novos, como Raimundos, Natiruts (ex-Nativus) e Rumbora. Mas o pessoal da MTV achou a experiência inviável e complicada, com o perigo de desviar a atenção da platéia para os convidados".

No resultado,o disco traz 14 músicas que marcaram a história da banda, desde as mais antigas, como Música Urbana, Independência, até as mais novas, O Mundo e Eu Vou Estar. Não há nada de surpreendente, até porque Dinho canta legal, mas tem aquela voz chata.

BONFÁ - Continuando na cola das bandas brasilienses, o próximo lançamento é O Barco Além do Sol, de Marcelo Bonfá. Para os autênticos legionários do País, o disco é histórico. É a possibilidade de reencontrar o universo da Legião Urbana.

As canções foram compostas numa parceria entre o baterista e Gian Fabra. "O Gian chegou a tocar baixo numas das fases da Legião, em apresentações ao vivo, mas só agora viemos a nos tornar realmente amigos". No entanto, o novo parceiro não impediu que Bonfá repetisse em diversos trechos a ladainha melancólica juvenil característica da Legião Urbana. Com isto, chega a cometer versos recorrentes como "Há tempos, eu sei que não sei viver sem seu carinho", na faixa Depois da Chuva.

Além da parceria Bonfá-Gian, o disco tem composiçõesde Fernanda Takai e John, do Patofu (Ouro em Pó), só de Fernanda (De um Jeito ou de Outro) e de Fausto Fawcett (Aurora no Subúrbio). O CD foi realizado com arranjos, programações, teclados, vocais e bateria de Marcelo Bonfá.

Os problemas do disco não muitos, mas cruciais. As letras continuam na mesma lenga-lenga pseudo poética-filosófica; as melodias não são inventivas, e, ao contrário de Renato Russo, falta a Bonfá o carisma vocal, sua voz parece uníssona. Mas, enfim, salvam-se os arranjos.

GESSINGER - Saindo de Brasília, mas ainda nos anos 80: a banda Engenheiros do Hawaii (ops!, Humberto Gessinger) chega ao 12º trabalho com o disco ao vivo 10.000 Destinos. Uma observação: Desde o início, o grupo (Gessinger) tem a proposta de intercalar um trabalho ao vivo entre três de estúdio.

Sendo assim, o CD traz todos os megahits da banda, Toda Forma de Poder, Infinita Highway, Somos Quem Podemos Ser, Alívio Imediato, além das mais recentes A Montanha. Há ainda as inéditas Números e Novos Horizontes e a regravação de Rádio Pirata (em dueto com o suspirante Paulo Ricardo) e Quando o Carnaval Chegar (Chico Buarque). Segundo Humberto, a inclusão desta música não é uma tentativa (antes ele gravara Caetano Veloso e Belchior) de se inserir na MPB. "Essa coisa de gravar MPB é uma reverência aos caras que me influenciaram", defende. Enfim, continua-se na mesma.

Serviço

O Barco Além do Sol (Trama)

Preço: R$ 24,00

Capital Inicial Unplugged (Abril Music)

Preço: R$ 22,00

10.000 Destinos (Universal)

Preço: R$ 24,00

 

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