Legião Urbana Uma Outra Estação
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Livro registra fala sensível de Renato Russo

Editora reúne depoimentos dados entre 1985 e 1996 pelo compositor, morto em outubro

(O Estado de São Paulo - 12/01/1997)

(Por Luiz Antonio Mello)

 

Amigos próximos a Renato Russo tinham certeza: o cantor, compositor e líder de uma geração foi vítima de um erro de laboratório que concluiu que ele era soropositivo, mas, dias depois, desmentiu, dizendo que o artista estava com hepatite tipo B. Esse segundo resultado foi acusado em mais dois exames. Assim, angustiado, Renato só foi acreditar que estava mesmo com aids poucos meses antes de morrer.

O próprio músico confirma essa informação em uma das dezenas de entrevistas a jornais e revistas que a editora Letra Livre compilou no ótimo livro Conversações com Renato Russo, recém-lançado. São 277 páginas de comoção, desabafo, filosofia e muita sensibilidade.

Em várias dessas entrevistas, realizadas entre 1985 e 1996, o líder da Legião Urbana bate na tecla de que o rock-n'-roll nada tem de político. "É puro entretenimento", diz o cantor, que não gostava de ser chamado de poeta e sim de letrista, revelando seus quatro grandes ídolos: Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Caetano Veloso e Sid Vicious. "Bebi uma garrafa de vinho Chapinha no dia em que ele morreu. Foi o meu primeiro porre. Eu chorei! Chorei de raiva", disse.

Renato não era apolítico. O livro não registra uma conversa dele com um pequeno grupo de jornalistas no Circo Voador, em 10 de outubro de 1985, quando morreu o ex-presidente Emílio Garrastazu Médici, responsável por um dos momentos mais sangrentos da história política brasileira. Renato comentou: "Muitas vezes eu penso que só morre gente boa, que só morrem pessoas que fazem bem ao mundo; no entanto, a notícia da morte desse ditador me conforta e, creio, que a todas as pessoas que sonham com um Brasil livre e bonito."

Em seguida, no palco, muito amargo, antes de abrir o show com a Legião Urbana, Russo disse à platéia: "Gente, hoje morreu o ditador Emílio Médici. Vamos brindar a isso. Vamos brindar à democracia. Vamos fazer deste show a celebração da morte de mais um fascista!" E o show começou.

 

PESQUISA

- Lançado pela editora Letra Livre, de Campo Grande (MS), Conversações com Renato Russo foi o resultado de uma pesquisa feita por seis pessoas em agências de notícias, jornais e revistas. Segundo o dono da Letra Livre, o jornalista Henrique Medeiros, "a seleção do material consumiu dois meses de trabalho e o livro faz um apanhado geral do pensamento do músico em entrevistas que ele concedeu ao longo do tempo".

Medeiros informou que o livro está fazendo muito sucesso de público e a editora tem recebido uma média de 30 e-mails (henmedeialanet.com.br) por dia de fãs da Legião, do próprio Renato e até de pessoas que nada têm que ver com rock, mas querem conhecer mais as idéias deste que é hoje uma lenda do rock brasileiro.

 

 

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