Legião Urbana Uma Outra Estação
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CAPÍTULOS A MAIS NA HISTÓRIA DA TURMA DE BRASÍLIA

(O Globo - 29/05/1999)

(Por Mario Marques)

 

A imagem de quatro malucos tocando numa esquina, com os cabelos descoloridos, cheio de tachas e vestidos em trapos, foram para o adolescente Fernando Ouro Preto, à época com 16 anos, uma porta aberta - e uma cena revolucionária. É como Dinho, vocalista do Capital Inicial, hoje com 35 anos - que recentemente voltou ao circuito com o disco "Atrás dos olhos" (Abril Music) - vira a primeira página do livro "A turma da colina", um testamento de um tempo em que Brasília desconhecia o potencial daqueles barulhentos garotos de garagem. Prevista para ser lançado este ano, a publicação registra não só histórias como a aparição retumbante do grupo punk Aborto Elétrico de Renato Russo diante de seus olhos, entre incrédulos pedestres, como também o fim de um ciclo fundamental para o pop nacional.

A Colina do título era uma área de prédios no Campus da Universidade Nacional de Brasília (UNB), onde morava a maioria dos professores. Foi ali, em meio a uma efervescência cultural que vez ou outra ignorava didática, onde nasceram os primeiros três acordes de guitarra da cidade.

- Não há precisão histórica no livro, é como se fosse um romance, não liguei para ninguém, só reproduzo o que aconteceu - explica Dinho, que se concentrou apenas entre os anos 80 e 83 para embalar suas lembranças. - Conto os tempos em que tudo era diversão, até descobrirmos que tínhamos uma carreira a seguir.

Enquanto Dinho romanceia a trajetória de grupos como Legião Urbana, Plebe Rude, o seu capital Inicial e Paralamas do Sucesso, Paulo Marchetti, produtor do programa Supernova 3 da MTV, mostra no livro "Diário da turma", que conclui em julho, uma grande reportagem da cena brasiliense.

- São muitas histórias e depoimentos - diz Marchetti, que entrevistou cerca de 60 pessoas e relata o período entre 76 e 86. - Mostro tanto a trajetória das bandas que fizeram sucesso quanto a das que ficaram no anonimato, como a Diamante Cor-de-Rosa, a Anjo Caído e os Vigaristas de Istambul.

Durante a pesquisa, Marchetti encontrou Dinho e os dois acabaram trocando opiniões impactantes sobre seus trabalhos.

- Eu era moleque e via essa turma toda indo lá em casa ouvir os discos de rock importados que minhas irmãs tinham - lembra Marchetti, que morou em Brasília entre 74 e 87.

- Passei a freqüentar festas loucas, punks e conheci uma outra realidade - recorda Dinho.

Nos dois livros há traços em comum e laços obrigatórios. A Plebe Rude de Phillipe Seabra, cujo formato sonoro alinhavado em "O concreto já rachou" (85) é unanimidade, ganha espaço nobre em todos os cantos da história do rock de Brasília. Após inúmeras tentativas de reunião da formação original no ano passado, a banda enfim volta em dezembro para gravar um disco ao vivo pela Abril Music. Além disso, está cotada para ser a maior atração do Abril Pro Rock 2000, em Recife. Seabra, vocalista e compositor da banda, há cinco anos morando em Nova York, onde batalha com sua Daybreak Gentlemen, é pessimista quanto à idéia de recomeçar uma carreira no Brasil, mas encara o reagrupamento como um ato de respeito aos "fãs plebeus".

- A situação hoje é outra, mas a vontade de voltar à estrada é a mesma - diz Seabra, cujo grupo é agenciado pela T. E. Savage, escritório que representa, dentre outros, George Clinton e Manhatan Transfer. - Converso muito com os outros integrantes da Plebe e está todo mundo animado, mesmo que separados pela distância. Através da homepage do Daybreak (http://www.daybreakgentlemen.com), recebo muitos e-mails de fãs pedindo para que a gente volte a tocar, isso não pode ser ignorado de jeito nenhum. Queremos ir para Brasília, e depois Rio e para São Paulo.

- Eles tiveram uma briga antes de se separar, saíram na porrada mesmo - relata Dinho. - Por isso a reunião está sendo tão difícil de acontecer. Eles falam nisso há mais de um ano, mas ainda não se encontraram.

Muito da avidez pelo som dos anos 80 passa pela crise criativa roqueira dos grupos surgidos nos anos 90. O Finis Africae é outra banda que prepara um álbum ao vivo, baseado numa miniexcursão nacional, depois da recusa de sua ex-gravadora, a EMI, de relançar seus LPs em CD - algo que também aconteceu com o Zero. Mas, quer queiram, quer não, a história da turma, pelo menos, vai entrar pela porta da frente.

 

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