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O Descobrimento do Poeta

Reportagem da Showbizz 142, maio de 97

O caderno do Aborto Elétrico, com letras inéditas compostas por Renato Russo, ficou esquecido numa caixa de papelão por doze anos. Agora, a juventude e a genialidade do poeta e toda a história de uma época efervescente do rock nacional voltam à tona nessa descoberta.

Numa tarde de janeiro de 1991, Renato Russo alugou uma suíte no Hotel Sheraton, um dos mais caros do Rio de Janeiro, com vista para o mar e a Praia de Ipanema. Ele ainda morava com a família na suburbana Ilha do Governador e alugar um quarto de hotel era habitual quando queria ficar sozinho. Dinheiro não era problema para um grande astro como Renato Russo. Ele pegou o telefone e ligou para o escritório de Luís Fernando Artigas, produtor dos primeiros shows da Legião Urbana e velho amigo dos tempos de Brasília. "Tô no Sheraton, vem pra cá", pediu. Na suíte, Renato coordenava uma festa particular com muitos estimulantes, num estado de hiperatividade que Luís Fernando já conhecia. Renato não estava berm de cabeça e procurava fugir da depressão. Ele descobrira que era soropositivo. Tarde e noite adentro, Renato falou sem parar, de tudo: música, política, amor, família. E falou também de um certo caderno dele que teria ficado com Felipe Lemos, o Fê, baterista do Capital Inicial e também velho amigo de Brasília. Renato queria que Luís Fernando pedisse a Fê o caderno de volta. Mas Luís Fernando não ligou para Fê Lemos. Na ressaca do dia seguinte, ainda abalado pelas outras coisas que ouvira do amigo, ele esqueceu o pedido de Renato. Fê só foi saber que Renato queria o caderno dois anos depois, em São Paulo, numa estranha coincidência. "Foi uma situação esquisita", lembra Fê. "Dei carona para um amigo de um amigo que disse conhecer o Renato, com quem eu não falava há muito tempo. Pra mim, ele tinha se tornado inacessível. Aí o cara disse, sem mais nem menos, que eu estava com um livro que era do Renato. Levei um susto. Pô, só podia ser o caderno do Aborto Elétrico!" Fê foi procurar no fundo de um baú empoeirado que guarda recortes do início de sua carreira em Brasília e achou o caderno de letras compostas por Renato Russo para o Aborto Elétrico entre 1977 e 1981. Três anos depois, Renato morreu sem ter visto novamente o caderno do Aborto Elétrico.

 

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