Legião Urbana Uma Outra Estação
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Entrevista com Renato Russo

Renato Russo O Roqueiro do Amore Mio

Por Cristiane Simäes e Renato Guima


- A idéia do disco em italiano veio depois da experiência em inglês com o Stonewall Celebration?

- Trabalhamos até outubro do ano passado, fizemos a turnê do Metropolitan e depois o Dado e o Bonfá  já  tinham outros projetos. Fiquei me perguntando: o que vou fazer? Até‚ que um dia resolvi ir a uma loja de discos e achei uma seção enorme de música italiana. Puxa, não conhecia nada disso, a não ser algumas da minha infância. Comprei uns quatro discos e fiquei surpreso com as letras. São muito parecidas com a temática da Legião. O canto deles também ‚ próximo do meu jeito
de interpretar. Comentei com o pessoal da (gravadora) EMI-Odeon que
queria gravar em italiano e, em duas semanas, me mandaram para a Itália. Foi jóia. Não sei nada de italiano, apenas repetia as letras. A produção foi toda minha, da ordem das músicas aos arranjos.

- O disco surgiu também por causa de sua ascendência italiana?

- É. Não queria fazer um disco solo em português, senão todo mundo ia começar a dizer que a Legião acabou. A música remete a emoções.. Nessa viagem, aproveitei e fui … cidade de Cremona para ver a certidão de casamento dos meus bisavós, que vieram para c  em 1875. Ainda descobri que este ano comemoramos os 150 anos da imigração italiana,
teve tudo a ver.

- Chegou a conhecer os compositores que gravou?

- Conheci só os produtores das músicas. Foi bom conhecer o país, sentir o cheiro da terra, ver como as pessoas andam na rua, ouvir o som do idioma para ficar com espírito italiano.

- E os projetos de show com esse disco?

- Por enquanto, não tem nada definido. A língua não ‚ tão conhecida e ainda por cima as rádios estão tocando Laura Pausini, que canta quatro músicas que gravei. Não sei se vai ter briga do tipo não vou tocar a versão do Renato porque já  tem a da Laura em espanhol. Mas ‚ um bom disco para o verão, para namorar.

- Por que não teve show com Stonewall?

- Porque já  estava em turnê com O Descobrimento do Brasil. Dá trabalho, tem que juntar os músicos e ensaiar, não ‚ como com o grupo, que já  está  careca de saber. Nunca tinha feito música pop e ‚ mais difícil do que rock. O Legião ‚ muito mais mole. Ficou menos brega do que tinha imaginado, mas há  umas coisas estilo Fafá  de Belém no Domingão do Faustão. (risos)

- Pretende alcançar um público que não conhece suas músicas?

- Essa não foi minha preocupação. Pensei o seguinte: ser  que consigo pegar essas músicas bregas e fazer com que as pessoas se emocionem com isso? Foi tipo quando o Caetano gravou Sonhos, do Peninha. Ninguém dava nada pela música e todo mundo ficou falando depois: "Que coisa linda!"

- E o povo italiano conhece o trabalho da Legião?

- Muito pouco. Eles conhecem mais Chico, Caetano e Roberto Carlos. Quis colocar alguma coisa brasileira no disco e ficou até‚ engraçado porque não entendo nada de bossa nova. Mas resolvi gravar Wave e Como Uma Onda para ter algo brasileiro e para fazer uma homenagem pro Tom Jobim. Quando ouço o disco, não me lembro da Itália, me lembro de uma época da minha infância. Minha tia e todos aqueles coroas ouvindo Pepino di Capri, Rita Pavone. A própria Jovem Guarda tinha muito dessa influência da música italiana. Num determinado momento, isso se perdeu. Tinha o filme Candelabro Italiano, coisas bem anos 60, mas depois sumiram, com a entrada da música americana.

- E como vai a Legião?

- Muito bem. O Dado e o Bonfá  foram para Londres cuidar da remasterização e as caixas ficaram legais. Esse relançamento ‚ importante porque a primeira tiragem dos discos ‚ ótima, mas depois vai decaindo. E, como a gente vende razoavelmente bem, daqui a pouco você compra o disco na loja e est  tudo fora de registro. Além disso, nossos três primeiros discos não foram feitos para ser CDs. Muitas pessoas ainda têm o disco em vinil e não em CD.

- Mas vai demorar quatro anos de novo para ter show?

- Não, claro que não. Sei que está  na hora de fazer, mas agora estamos trabalhando no próximo disco.

- Como ‚ o processo de composição das músicas?

- A gente faz uns pedaços, depois pega e fica ouvindo. Já  devo ter umas cinco ou seis letras e mais uma portão de idéias para o próximo disco. Guardo tudo numa sacola velha. Se por acaso uma letra não entra no disco, guardo e depois coloco em outro que tenha a ver. Também coleciono possíveis títulos.

- E como começa a produção do disco?

- Marcamos estúdio e cada um já  leva alguma coisa pronta. O Bonfá compõe bastante... Aliás, as pessoas têm mania de achar que sou eu que faço tudo. O Dado às vezes traz a melodia acabada, só fica faltando a letra.

- O que ‚ mais complexo?

- Escolher as letras. Na hora de gravar o disco, nós sentamos e escolhemos o que tem de melhor nas fitas. Gravamos na pré-produção e sai uma beleza, mas depois não conseguimos reproduzir igualzinho, o que ‚ um saco. Somos mais intuitivos do que músicos. A parte que demora mais ‚ a composição das letras. Demorei três meses para escrever Há  Tempos.

- Os seus discos também relembram alguma fase da sua vida?

- É diferente. Como ‚ trabalho, geralmente não consigo fazer essa associação. Se eu estiver bem e tocar Angra dos Reis, eu fico ótimo. Mas geralmente não ‚ assim. O que me lembro mesmo ‚ do trabalho que das gravações e, quando fica pronto, já  ouvi tantas vezes que não dá, não tenho saco.

- Não dá  vontade de pegar um CD do grupo e ouvir?

- De bobeira, não. Posso falar, hoje vou ouvir, e faço como trabalho, analisando. É aquela coisa que o padeiro fala, quando oferecem pão a ele: "Chega!"

- O que você ouve então?

- Gosto muito de música clássica.

- Por isso, o último show foi aberto com ela?

- Acho emocionante aquela abertura da Flauta Mágica de Mozart. Todo mundo gritando "vai começar!" Deixa uma expectativa legal. Todo mundo abre show com Carmina Burana. Não agüento mais ouvir aquilo! Está muito clichê. É igual a esses discos que vendem só Quatro Estações, de Vivaldi, e Valsa das Flores, do bal‚ Quebra Nozes, de Tchaikowsky.

- Quais são seus compositores prediletos?

- Teve uma ‚época em que só ouvia compositores bem antigos, até‚ o tal do anônimo. Aliás, esse cara escreveu muito, né? (risos) E coisas mais recentes tipo Debussy, Eric Satie e Stravinsky. Agora, de dois anos para cá, tenho escutado muito música romântica, que antes achava chato, tipo Brahms, Schubert. Gosto muito de anos 60 e 70. Dos 80, não ouço quase nada.

- Por que?

- Não gosto. Não tenho saco para ouvir New Order e The Cure. J  David Bowie e Rolling Stones eu adoro.

- E grupos brasileiros?

- Gosto muito do Pato Fu. Tem alguns grupos que eu respeito pra caramba. O Titãs, principalmente da época do Arnaldo. Acho Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas um dos melhores discos de rock de todos os tempos. Geralmente gosto de ouvir outras coisas como Kid Abelha e Paralamas. Já  ouvi muito Pink Floyd, aquele disco da vaca (Atom Heart Mother). Era só acordar e ir direto ouvir, até‚ furar. Não tenho mais 14 anos, estou a fim de ouvir outras coisas além de rock. As coisas andam meio esquisitas depois da morte do Kurt Cobain. A sensação ‚ a mesma que se viu com a morte dos Beatles. Ficou um vazio, o panorama mudou e, agora, com o ex-Nirvana, aconteceu a mesma coisa.

- A idéia ‚ continuar sempre assim?

- Não podemos nunca mudar a concepção da banda. O V (cinco) ‚ um disco bem deprê, O Descobrimento do Brasil tem coisas sérias e outras leves. Não posso fazer Que País ‚ Este? 2 e 3. Gosto muito de falar sobre relacionamentos humanos, sobre amor. H  coisas que escrevo e não faço com o grupo. Não tem nada a ver. É como se colocasse um sofá  na cozinha. Meus amigos falam: 'poxa, Renato, como você ‚ conservador!' Por isso, pude colocar tanta coisa romântica nesse disco em italiano. Assim, não vou precisar fazer esse gênero com a Legião. Senão, os fãs vão falar que estamos virando Legião Rosana.

- Isso não ‚ meio ditatorial: o público achar que vocês só têm que tocar coisa pesada?

- Existe, mas gosto de acreditar que faço o que quero, respeitando o público. Não posso fazer samba enredo.

- E as críticas da imprensa?

- Já  fomos os queridos da crítica até o terceiro disco. Mas ‚ chato saber que aquilo que deu tanto trabalho vai ser julgado por um cara que ouve três segundos de cada faixa, para dizer ‚ assim ou assado. Houve uma crítica sobre O Descobrimento do Brasil que decorei de tão ridícula. "O Brasil descoberto pela Legião Urbana ‚ tão decepcionante quanto as denúncias de corrupção da CPI." Puxa! Teve outra que dizia: "as letras são ininteligíveis, não fazem sentido, como Meu tornozelo coça por causa de mosquitos/ Estou com cabelos molhados/ Me sinto livre." Nossa, ou essa senhora não toma banho, nunca foi … praia ou em São Paulo não tem mosquito. (risos)

- Mas com as críticas … violência que tumultuou alguns shows da Legião você concorda, não é?

- Teve uma época em que alguns fãs projetavam as fantasias mórbidas na minha pessoa. Isso aconteceu também com Cazuza e Lobão. A maioria das pessoas é legal, mas tem uma minoria que atrapalha, que quer fazer algazarra. Ai de mim se não tocar Eduardo e Mônica nos shows. (risos)

- O que sente com aquela galera gritando seu nome?

- A adrenalina vai a mil. É muito emocionante, d  um nervoso, mas quando chego no palco, tudo passa. Eu enxergo cada pessoa que fica ali na frente, peço até‚ para iluminar a galera para eu ver melhor. Deu  até‚ para ver aquela menininha que vai a todos os shows e cantar uma música olhando só para ela.


Extraido da Revista Ele & Ela | Dezembro


Fonte: [email protected] - Legião Urbana Home-Page

 

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