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Legião Urbana Uma Outra Estação
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Morre cantor e compositor Renato RussoCorpo do vocalista da banda Legião Urbana será
cremado hoje às 9 horas (O Estado de São Paulo - 11/10/1996) (Por Roberta Jansen e Claudio Renato) RIO - O cantor e
compositor Renato Russo, de 36 anos, vocalista da banda Legião Urbana, morreu
à 1h15 de ontem, em sua casa, em Ipanema, Zona Sul. Seu corpo será cremado
hoje, às 9 horas, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, Zona Norte. De
acordo com o atestado de óbito, assinado pelos médicos Saul Pteshe e Humberto
Mauro R. L. Vasconcelos, sua morte foi causada por septicemia, broncopneumonia e
infecção urinária. Ele tinha Aids havia seis anos. Parentes e amigos de
Renato Russo (o nome artístico de Renato Manfredini Jr.) não confirmaram. "Está
todo mundo falando isso, mas é uma coisa que ele não falava", disse
Fernanda Villa-Lobos, mulher do guitarrista da Legião, Dado Villa-Lobos.
"Não cabe a mim comentar." Ela afastou a hipótese de Renato Russo
ter-se suicidado. "Ele não teria coragem." O
cantor estava deprimido havia vários dias, recusando-se a comer e a sair de seu
quarto, segundo parentes. "Ele estava muito triste e falava em morte até
nas suas músicas", disse Asmar Manfredini, tio de Renato. Segundo
Fernanda, o cantor estava anoréxico e anêmico. A prima de Russo, Leisa do Espírito
Santo Manfredini, também negou a hipótese de suicídio: "Ele estava com
pneumonia." SUICÍDIO -
O boato de que o cantor havia se matado circulou no Rio há três dias e chegou
a ser noticiado em algumas rádios. Informado sobre isso, o diretor-artístico
da EMI, João Augusto, ligou imediatamente para a casa do cantor e obteve notícias
de que ele estava bem. Fernanda contou que, na ocasião, Dado Villa-Lobos foi à
casa do parceiro para saber o que havia ocorrido. O guitarrista conversou com o
pai do cantor, o funcionário público Renato Manfredini, e ficou preocupado com
a situação do amigo. Ele contou a Dado que seu filho não comia havia vários
dias e se recusava a sair do quarto. "Dado,
então, conversou com Renato, que chorou muito, demonstrando estar realmente
deprimido", contou Fernanda. "Não sabíamos que a situação era tão
grave." A depressão profunda de Renato Russo é confirmada por seus
vizinhos, amigos e parentes. "Ele
andava muito triste", disse a prima Leisa. "Há 15 dias ele estava
cabisbaixo, triste e deprimido", contou o vizinho e amigo do cantor, Chico
Guarani. O amigo lembrou ainda que quando estava bem, Renato ouvia som em um
volume muito alto. "Há dois meses não se escuta música por aqui." DOENÇA -
Uma equipe de enfermagem acompanhava o estado de saúde de Renato Russo em casa,
desde que ele começou a ter crises de pneumonia. "Ele nunca quis se
hospitalizar", contou o tio do cantor, Asmar Manfredini. De acordo com
vizinhos, Renato Russo se submetia a um tratamento de desintoxicação de
drogas. O cantor já havia declarado em entrevistas que era dependente de cocaína
e de álcool desde os 16 anos de idade. Na
hora da morte, Renato Russo estava no quarto de seu apartamento conjugado,
acompanhado de um enfermeiro e de seu pai, que veio de Brasília há um mês
para cuidar dele. A mãe do cantor, Carmem Manfredini, chegou hoje de manhã à
cidade. Renato Russo deixa um filho, Giuliano Manfredini, de 7 anos, que também
está no Rio, na casa dos bisavós. Diversos
amigos do cantor estiveram ontem em seu apartamento, entre eles, a vocalista do
conjunto Sex Beatles, Chris Broun, o fotógrafo Flávio Colker, que fez diversas
capas do disco da banda, e o ator Maurício Branco. Nenhum deles quis comentar a
morte do cantor. Diversos fãs de Renato Russo fizeram vigília durante todo o
dia de ontem em frente da casa do cantor. Eles chegaram a agredir verbalmente os
jornalistas, dizendo que Renato jamais aprovaria tal assédio da imprensa. Colaboraram: Sonia Apolinário, Irany Tereza, Andréia
Maia, Bernardo de La Peña e Gustavo Alves. |
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