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RENATO RUSSO DÁ VOZ PARA SUA GERAÇÃO
O trabalho do vocalista, letrista e compositor da Legião
Urbana supera a nostalgia dos anos 80.
(Estado - 15/12/1995)
(Por Gabriel Bastos Junior)
A década de 80 foi marcada pelo auge do rock
brasileiro, que entrou definitivamente para o universo da música popular produzida no
País. Muita coisa ficou para trás e já é, em tão pouco tempo, motivo para nostalgia
(vide a volta com sucesso da Blitz). Do que ficou, um nome se destaca como o letrista que
melhor cantou essa geração: Renato Russo, de 35 anos. Neste fim de ano, ele se expõe de
maneira dupla - em Equilíbrio Distante, seu segundo disco solo, e na caixa com os seis
discos de estúdio da Legião Urbana remasterizados (nas lojas na semana que vem), ambos
pela EMI. O vocalista, letrista e compositor da Legião, a banda de maior sucesso na
história do rock brasileiro, vive entre a conclamação de público e classe artística e
as alfinetadas da imprensa, que o acusa de ultrapassado e até de "rock
mauricinho", o que explica o tempo que ele passa em cada entrevista falando das
sandices escritas a seu respeito. Mas já é tempo de se admitir - como fazem Lobão,
Cássia Eller, Boca Livre, Marina e tantos outros - que, como Cazuza, Russo é um nome
importante, com o mesmo peso para a sua geração que têm Caetano e Gil para a anterior.
Comparações musicais são injustas, porque a proposta da Legião nunca foi ter uma
produção complexa, sofisticada ou experimental nesse sentido. "Nossas música são
duas notas", ironiza o próprio Russo. Mas sua capacidade lírica é incontestável
quando se lê com atenção Acrilic on Canvas, por exemplo, do elogiado disco Dois.
"Minha geração sempre foi tachada de vazia e idiota", comenta. A chance de
provar que isso não era verdade sempre foi um incentivo para escrever as coisas com
cuidado. "Eu não podia fazer uma besteira." Agora Renato Russo enfrenta o
desafio de mostrar que, embora seja um cantor intuitivo (sem técnica), pode se sair bem
como intérprete e produtor, cuidando minuciosamente de todas as fases - até da
produção gráfica - de Equilíbrio Distante. Com esse disco romântico, assumidamente
brega e todo cantado em italiano - com faixas que vão de Laura Pausini à versão de Como
uma Onda -, ele pretende experimentar o máximo da absorção na cultura pop, sem misturar
com o seu trabalho na Legião, que está preparando novo disco. Até lá vai se ouvir
falar muito dele.
Texto enviado por: Fabiano Moraes - Legião Urbana Web Fã Clube
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