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Bonfá deixando o passado
para trás
Tatiana Tavares
International Magazine - Ano XI - Edição 62
Pouca gente parece lembrar, mas já faz três
anos que a Legião Urbana foi oficialmente desintegrada pelos dois remanescentes
do grupo - após a morte
de seu líder, Renato Russo. Mas nem por isso o trio de Brasília foi extinto do
mapa do pop nacional. Com o lançamento do "Acústico" da banda,
gravado
há sete anos para a MTV, o revival foi inevitável e suas músicas voltaram a
freqüentar as paradas das FMs - como acontecia ainda na década de 80, assim
como as camisetas e bottons do trio, que novamente circulam pelas ruas. Mas,
infelizmente para muitos, a Legião acabou e é preciso começar uma nova etapa
e deixar definitivamente o passado para trás. Pensando desta maneira, o
baterista Marcelo Bonfá acaba de assinar contrato com a Trama de São Paulo.
O baterista aposta em novidades e, depois de dois
anos e meio de trabalho contínuo, lança em abril seu primeiro trabalho solo,
"O Barco Além do
Sol", disco que tem produção dele próprio em parceria com Carlos Trilha,
que vinha acompanhando a Legião em seus dois últimos álbuns, responsável
também pelos discos da carreira solo de Renato Russo.
No álbum, além de assumir a bateria e o teclado, Bonfá aparece cantando e
compondo letras, experiências inéditas nestes seus mais de 15 anos de
estrada. "Nunca precisei me preocupar com letras", lembra Bonfá.
"Quando comecei a trabalhar neste projeto, pretendia chamar algumas pessoas
para
me ajudarem com as letras. Mas, de repente, as idéias foram surgindo e tudo foi
ficando tão bem amarrado que acabei assinando a maioria das músicas
inteiras". Das dez faixas, apenas três não são de sua autoria.
"Duas delas ficaram com a Fernanda, do Pato Fú e a outra, com Fausto
Fawcett", adianta.
Segundo ele, não houve qualquer tipo de preocupação em passar mensagem para
os jovens, como fazia Renato Russo. "Não sei se ele fazia isso
propositalmente. Nunca conversamos sobre isso. Ele chegava com as letras e
pronto, ninguém discutia os temas ou dava opiniões. Neste meu trabalho,
escrevi sobre o que tive vontade, sobre o que estava vivendo e o que me
influenciava na época. É claro que acabei falando de coisas que interessam
à juventude, mas não da mesma forma que o Renato fazia", explica.
O baterista afirma que "O Barco Além do
Sol", título sugerido por seu filho Tiago, de sete anos, é um disco pop,
mas nem por isso parece preocupado
com as comparações com o trabalho da Legião Urbana. "Isso vai acontecer
e é inevitável. Mas, sinceramente, não perco meu tempo pensando nisso. Não
tenho que explicar nada a ninguém e fiz o disco que queria fazer, um disco para
mim mesmo. Considero este trabalho como uma espécie de evolução dos álbuns
da banda, a minha evolução como músico e compositor".
Bonfá optou por não contar com a colaboração
do ex-parceiro Dado Villa-Lobos e preferiu recrutar Fred Nascimento para a
guitarra. "Pensei em falar com o Dado, mas as coisas foram acontecendo tão
rápido e dando tão certo, que acabei abandonando a idéia. Para falar a
verdade, acho que nunca cheguei a conversar com ele sobre o disco", admite.
Ao contrário de Renato Russo, que detestava o palco, o baterista pretende sair
em turnê. "Ainda não pensamos na estratégia de marketing. Estou entrando
de férias agora e, quando voltar, resolveremos como as coisas vão funcionar.
Mas já adianto que tenho intenção de apresentar o disco ao vivo sim, conclui
empolgado.
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