Legião Urbana Uma Outra Estação
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UM ANO DEPOIS

Com a morte de Renato Russo, há um ano, toda uma geração perdia seu ídolo e porta-voz. Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião, fala sobre o espólio do grupo e a difícil tarefa de levar a vida adiante.

(Jornal O POVO - 11/10/1997)

(Por Luciano Almeida Filho)

(...) Para marcar a data, só a família agendou uma missa. As outras manifestações partem dos fãs em todo o País. Sem ligar muito para o que a gravadora faz com o material solo de Renato, mas consciencioso de tudo sobre a Legião, o guitarrista Dado Villa-Lobos concedeu entrevista ao Vida & Arte, por telefone. Ele falou sobre o que os fãs ainda podem esperar da Legião no futuro, da idolatria e da sede da indústria por material inédito.

Vida & Arte: Um ano depois da morte de Renato Russo, o que os fãs podem esperar da Legião Urbana?

Dado Villa-Lobos: Os fãs já têm um bom material nesse último disco, "Uma Outra Estação", um disco histórico, revisionista, que pode até apontar novos caminhos para as pessoas da banda. E deixa bem claro o que é, o que foi e o que será a Legião Urbana. Daqui pra frente, as pessoas podem esperar discos de registros ao vivo, como um "Acústico MTV". E os outros registros como shows em ginásios, estádios, coisas assim. No mais, acho que seria só. Por enquanto, a gente não tem projeto de gravar novas coisas. A Legião Urbana como núcleo produtivo acabou, impossível e inviável manter essa idéia e todo esse conceito e perfil de vida sem o Renato.

V & A: Como vocês estão administrando este material de arquivo junto com a gravadora?

Dado: A gente está fazendo as coisas na medida do que podemos fazer. Estou reestruturando minha vida em função do meu trabalho, aqui na minha gravadora, com projetos musicais futuros. E a Legião Urbana continua aí. O que está bem claro é que o que resta é a música. A música ficou e está fluindo, passando pelas gerações, pelo tempo. As pessoas têm um respeito muito grande pela história e pelo conteúdo da Legião Urbana. Isso é o que realmente vai ficar. As coisas práticas e materiais, como vídeos e novos lançamentos, a gente vai aos poucos avaliando e lançando, a medida que for o tempo realmente de lançar.

V & A: Não existe então uma pressa em lançar esse material? Vocês lançaram "Uma Outra Estação" menos de um ano depois de "A Tempestade" e a gravadora já está anunciando um CD com resto do material de carreira solo ainda este ano...

Dado: Ah, sim... mas em relação a carreira do Renato solo, a gravadora vai fazer o que ela bem entender. Eles são uma multinacional, movimentam milhões e milhões de dólares por ano e acho que eles devem saber o que estão fazendo. No mais, em relação a Legião Urbana, ano que vem não existe nada previsto. Nenhum disco ao vivo. Não estamos interessados, no momento, em trabalhar nesse material. Acho que o que a gente já fez esse ano foi o suficiente.

V & A: Você dirige hoje o selo Rock It!, quais são seus planos de montar uma banda, voltar a tocar ou seguir carreira solo?

Dado: Esse negócio de carreira solo é fogo! Carreira sub-solo (brinca). O que quero fazer são projetos musicais, que eu esteja envolvido. De repente, ano que vem, vou gravar um disco retomando o nome e a idéia da primeira banda que tive: Dado e o Reino Animal, nome dado por Herbert Vianna. E que seria uma idéia ampla e sem compromissos com a indústria. Seria um projeto aberto a diversas tendências, diversos amigos, compositores, produtores, que a gente começaria eventualmente a se encontrar a partir do ano que vem montando justamente este disco. Já tem algumas idéias, de regravar algumas coisas, novas canções, novos formatos, novos caminhos...

V & A: Você vai evitar sempre a comparação com a Legião Urbana?

Dado: A Legião Urbana é uma coisa que tem um momento, tem uma personalidade própria, e aquilo, de repente, para mim, é uma coisa que já foi feita. É claro que, sempre seguindo os mesmos preceitos e conceitos mínimos da coisa da Legião Urbana, da integridade e honestidade, aquela coisa toda. Mas os caminhos musicais serão outros, espero. Vai ter desde coisas acústicas, coisas eletrônicas, ou eletroacústicas. É óbvio que, na minha bagagem, carrego toda a história da Legião Urbana. Acho que isso, de qualquer forma, é muito, e muito, e muito positivo, à medida que você se dispõe a fazer um disco. Hoje em dia, eu sei fazer um disco, o que não sabia há alguns anos atrás.

V & A: Em que pé ficou aquela história do caderno perdido com as músicas do Aborto Elétrico que estaria com Fê, que a SHOWBIZZ levantou?

Dado: Eu acho que aquela idéia do caderno do Aborto Elétrico foi abortada (risos). Na verdade, quem na verdade tem os direitos em cima daquilo é a família do Renato, os tutores do filho dele. Enfim... esse material só vai poder ser liberado quando o Giuliano fizer 21 anos, eu acho. Até então, os pais não estão dispostos a trabalhar com aquele material.

V & A: Existe algum plano de biografia do Renato ou da Legião?

Dado: Não. Na verdade, se isso fosse acontecer um dia, seria uma história nos moldes do "Apanhador nos Campos de Centeio", do J.B. Selliger, aquele escritor americano dos anos 40 e 50. Seria mais ou menos uma coisa ficcional romanceada. Na verdade, a história da Legião Urbana é a história de um bando de adolescentes que deu no que deu.

Texto enviado por: Fabiano Moraes - Legião Urbana Web Fã Clube

 

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