Legião Urbana Uma Outra Estação
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Religião Urbana

Revista "Veja", 10/99

Adolescentes cultuam Renato Russo, num fenômeno parecido com o de Raul Seixas 

Sérgio Martins 
Jorge Rosemberg

Russo: mesmo depois de sua morte, Legião Urbana vende 360 000 CDs a cada ano

Claudio Rossi

Renato Willy e sua banda, de Campinas: quinze shows por mês e cachê de 2 000 reais

Antonio Milena

Adriani: apostando na semelhança de sua voz com a do ídolo juvenil

Renato Russo, ex-líder do Legião Urbana, é o Raul Seixas da geração Coca-Cola. Seixas, o autor de Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás e Sociedade Alternativa, teve seu auge nos anos 70, entrou em decadência na década seguinte (quando virou alcoólatra) e, depois de sua morte, em 1989, começou a ser cultuado por jovens que não haviam nascido quando o cantor vivia seu melhor momento. O caso de Renato Russo é bastante semelhante. Ele morreu em outubro de 1996, aos 36 anos, em decorrência da Aids. De lá para cá, as vendagens dos CDs do Legião Urbana não param de crescer. O catálogo do grupo, constituído por dez discos, vende uma média de 360 000 cópias por ano. Número superior ao de Raul Seixas no auge do culto a suas músicas: 300.000. O catálogo dos Beatles, que até pouco tempo atrás era o filé mignon da gravadora EMI, a mesma do Legião Urbana, vende 120.000 por ano no Brasil. Como ocorria com Raul Seixas, proliferam os "covers" de Renato, que se vestem e tentam cantar como seu ídolo. Existem cerca de vinte clones profissionais dele pelo Brasil, alguns com a agenda cheia e ganhando um bom dinheiro. A Legião Urbana Cover, banda da cidade paulista de Campinas, por exemplo, faz uma média de quinze shows por mês, cobrando 2.000 reais por show. "Os adolescentes que sofreram decepções amorosas são o grosso do nosso público. Eles buscam conforto nas letras de Russo", diz Renato Willy, líder do grupo. Da mesma forma que não há problema para se caracterizar como Raul Seixas, é fácil se fantasiar de Renato Russo. No que se refere ao primeiro, bastam óculos escuros e uma barba postiça. Quanto ao segundo, óculos de armação quadrada e camisa de flanela puída compõem o tipo.

O culto a Renato Russo atravessa uma fase particularmente agitada, agora que se aproxima o aniversário de três anos da morte do cantor. Na semana passada, em Belo Horizonte, um megashow reuniu grupos de rock de ontem e de hoje, como Barão Vermelho, Raimundos, Kid Abelha e Charlie Brown Jr., que executaram sucessos do Legião Urbana. O espetáculo, chamado Pop Rock 99 - Tributo a Renato Russo, reuniu 35.000 pessoas num estádio de futebol. Em São Paulo, as comemorações começam no dia 5 de outubro, com um ciclo de shows reunindo cantores de diversos gêneros. No final de outubro, a gravadora EMI lançará trechos inéditos do show acústico que o Legião Urbana gravou para a MTV em 1992. O lado anedótico de todo esse frisson é o CD Forza Sempre, recém-lançado por Jerry Adriani. No início da carreira do Legião Urbana, alguns detratores da banda enfatizaram a semelhança entre a voz de Renato e a de Jerry, na época considerado um cantor brega. Pois Jerry resolveu usar essa semelhança em causa própria, gravando canções da banda em italiano - uma referência ao fato de o líder do Legião Urbana gostar da música daquele país. "Mostrei para o Marcelo Bonfá e para o Dado Villa-Lobos e eles se emocionaram", conta Jerry. Bonfá e Villa-Lobos, os ex-companheiros de Renato no Legião Urbana, extinguiram o grupo. Seguem carreira como instrumentistas convidados junto a outras bandas.

"Feijoada" - Afinal de contas, o que está levando tantos adolescentes a cultuar Renato Russo? A primeira explicação é que todo roqueiro que morre cedo acaba virando ídolo. Assim foi com o americano Kurt Cobain, do Nirvana, que deu um tiro na cabeça aos 27 anos, e com Cazuza, também levado pela Aids, aos 32. Existe, no entanto, outra razão, que tem a ver com as próprias letras de Renato Russo. Nelas, o autor se expõe de forma confessional e relata dramas muito parecidos com os que os adolescentes vivem, não importa a época em que tenham nascido. Feio, tímido e homossexual, Renato sempre foi uma espécie de desajustado. Tinha dificuldades no amor e no sexo, como qualquer jovem de 14 anos, e as mostrava sem pudor em suas composições. Que são também diretas e de fácil compreensão, excetuando-se uma canção cretina feita a partir de um poema do português Luís de Camões e de uma carta de São Paulo aos coríntios. "Renato tinha o poder de transformar uma frase do tipo 'sábado vou fazer uma feijoada para meus amigos' em algo comovente", avalia Herbert Vianna, líder dos Paralamas do Sucesso. Convenhamos que não é preciso muito mais do que isso para emocionar um adolescente.

Nota do Webmaster da "Uma Outra Estação": "Letras de fácil compreensão"? "Canção cretina"? "Não é preciso mais do que isso para emocionar um adolescente"? Po, cretino mesmo é o cara que assinou essa matéria :)

 

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