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RENATO RUSSO

O letrista e líder da Legião Urbana, que já vendeu mais de 12 milhões de discos, é mitificado na sensível biografia 'Renato Russo', de Arthur Dapieve
Para quem não é fã ardoroso da Legião Urbana, pode parecer um exagero o grande espaço que a banda toma nas rádios, nas revistas especializadas em músicas, nos jornais. Agora, parece que chegou a melhor explicação para o fenômeno de Brasília: Renato Russo - O Trovador Solitário (Relume-Dumará, 180 páginas, R$ 15,00), a biografia escrita pelo jornalista carioca Arthur Dapieve, lançada esta semana.
Como em todos os livros desse tipo, conta a história de Rentato Manfredini Jr com muitos detalhes (não exagerados, vale dizer), desde a infância, as doenças, o desempenho escolar, a opção sexual, estas coisas. Sobre esta última, a delicadeza e elegância do texto de Dapieve são notáveis, face a complexidade do personagem.
Renato se definia como pansexual (alguém que gosta mais do que `meninos e meninas', se é que vocês me entendem). Foi soropositivo durante cinco anos e viveu discretamente, em meio a boatos de morte e suicídio, evitando uma degradação pública como a de outro ídolo pop, Cazuza.
Mas o que deveria ser a maior curiosidade do livro, virou, nas mãos do autor, apenas um detalhe da personalidade especial de Renato. E se alguém se espanta `ué eu mal conhecia esse tal Rentato Russo!', o livro elucida importância dele para a juventude brasileira que vivia num estranho período de abertura política, em meados dos anos 80.
Está aí a grande sacada das boas biografias. Mais do que entrevistar professoras e o leiteiro do entrevistado e, pior, contar detalhes da vida sexual do biografado, elas traçam um panorama da época em que viveu a pessoa. Passado o furor - poucos anos, neste caso, já que Renato morreu em outubro de 1996 -, a gente pode lembrar, refletir. Dá para entender porque ainda ficamos tocados com a história de Eduardo e Mônica, porque fomos a Geração Coca-cola. E, principalmente, dá até para concordar com o esse espaço todo para a Legião Urbana nas revistas especializadas, nas rádios, nos jornais. Uma outra conclusão de Dapieve é muito interessante e animadora. "O legado de Renato Russo é um desmentido veemente e comovente à idéia de que o brasileiro se compraz em ser burro ou em ser superficial", escreve.
Jornalista ligado à área musical conta, no epílogo, que entrevistou a Legião Urbana uma meia dúzia de vezes. Trabalhando em O Globo e no Jornal do Brasil, grandes jornais cariocas, ele acompanhou de perto a carreira das bandas que apareceram no final dos anos 80. A esse, digamos, movimentos, ele batizou de BRock e escreveu um livro homônimo, lançado em 1995, um apaixonante relato sobre aqueles malucos - Capital Inicial, Legião Urbana, Titãs - que sacudiram a juventude, em todos os sentidos. (Patrícia Villalba)

Estado de S. Paulo - Suplemento ZAP - 01/09/2000

 

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