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Legião Urbana Uma Outra Estação
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Acústico MTV
BAADER-MEINHOF BLUES Letra: Renato Russo Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá A violência é tão fascinante E nossas vidas são tão normais E você passa de noite e sempre vê Apartamentos acessos Tudo parece ser tão real Mas você viu esse filme também. Andando nas ruas Pensei que podia ouvir Alguém me chamando Dizendo meu nome. Já estou cheio de me sentir vazio Meu corpo é quente e estou sentindo frio Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber Afinal, amar ao próximo é tão demode. Essa justiça desafinada É tão humana e tão errada Nós assistimos televisão também Qual é a diferença? Não estatize meus sentimentos Pra seu governo, O meu estado é independente. "ÍNDIOS" Letra: Renato Russo Música: Renato Russo Quem me dera, ao menos uma vez Ter de volta todo o ouro que entreguei A quem conseguiu me convencer Que era prova de amizade Se alguém levasse embora até o que eu não tinha. Quem me dera, ao menos uma vez, Esquecer que acreditei que era por brincadeira Que se cortava sempre um pano-de-chão De linho nobre e pura seda. Quem me dera, ao menos uma vez, Explicar o que ninguém consegue entender: Que o que aconteceu ainda esta por vir E o futuro não é mais como era antigamente. Quem me dera, ao menos uma vez, Provar que quem tem mais do que precisa ter Quase sempre se convence que não tem o bastante E fala demais, por não ter nada a dizer Quem me dera, ao menos uma vez, Que o mais simples fosse visto como o mais importante, Mas nos deram espelhos E vimos uma mundo doente. Quem me dera, ao menos uma vez, Entender como isso Deus ao mesmo tempo é três E esse mesmo Deus foi morto por vocês É isso maldade então, deixar um Deus tão triste. Eu quis o perigo e até sangrei sozinho. Entenda - assim pude trazer você de volta para mim, Quando descobri que é sempre isso você Que me entende do início ao fim E é isso você que tem a cura do meu vício De insistir nessa saudade que eu sinto De tudo que eu ainda não vi. Quem me dera, ao menos uma vez, Acreditar por um instante em tudo que existe E acreditar que o mundo é perfeito E que todas as pessoas são felizes. Quem me dera, ao menos uma vez, Fazer com que o mundo saiba que seu nome Esta em tudo e mesmo assim Ninguém lhe diz ao menos obrigado. Quem me dera, ao menos uma vez, Como a mais bela tribo, dos mais belos índios, Não ser atacado por ser inocente. Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, Entenda - assim pude trazer você de volta para mim Quando descobri que é sempre isso você Que me entende do início ao fim E é isso você que tem a cura do meu vício De insistir nessa saudade que eu sinto De tudo que eu ainda não vi. Nos deram espelhos e vimos um mundo doente Tentei chorar e não consegui. MAIS DO MESMO Letra: Renato Russo Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha/Marcelo Bonfá Ei menino branco o que é que você faz aqui Subindo o morro pra tentar se divertir Mas já disse que não tem E você ainda quer mais Por que você não me deixa em paz? Desses vinte anos nenhum foi feito pra mim E agora você quer que eu fique igual a você É mesmo. Como vou crescer se nada cresce por aqui? Quem vai tomar conta dos doentes? E quando tem chacina de adolecentes Como é que você se sente? Em vez de luz tem tiroteio no fim do túnel. Sempre mais do mesmo Não era isso que você queria ouvir? Ah. bondade sua me explicar com tanta determinação Exatamente o que eu sinto, como penso como sou Eu realmente não sabia que eu pensava assim E agora você quer um retrato do país Mas queimaram o filme E enquanto isto na enfermaria Todos os doentes estão cantando sucessos populares (e todos os índios foram mortos). PAIS E FILHOS Letra: Renato Russo Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá Estatuas e cofres. E paredes pintadas. Ninguém sabe o que aconteceu. Ela se jogou da janela do quinto andar. Nada é fácil de entender. Dorme agora. É isso o vento lá fora. Quero colo. Vou fugir de casa. Posso dormir aqui com vocês? Estou com medo. Tive um pesadelo Só vou voltar depois das três. Meu filho vai ter nome de santo. Quero o nome mais bonito. É preciso amar as pessoas como se Não houvesse amanhã. Porque se você parar para pensar, Na verdade não há. Me diz porque o céu é azul. Explica a grande fúria do mundo. São meus filhos que tomam conta de mim. Eu moro com a minha mãe Mas meu pai vem me visitar. Eu moro na rua, não tenho ninguém Eu moro em qualquer lugar. Já morei em tanta casa que nem me lembro mais. Eu moro com os meus pais. É preciso amar as pessoas como se Não houvesse amanhã. Porque se você parar para pensar, Na verdade não há. Sou uma gota d'agua Sou um grão de areia. Você me diz que seus pais não entendem. Mas você não entende seus pais. Você culpa seus pais por tudo. E isso é absurdo. São crianças como você O que você vai ser, quando você crescer? Hoje A Noite Não Tem Luar Letra original: A. Monroy Fernandez / C. Villa de La Torre Versão: Carlos Colla Ela passou do meu lado 'Oi amor', eu lhe falei 'você está tão sozinha' ela então sorriu pra mim foi assim que eu a conheci naquele dia junto ao mar as ondas vinham beijar a praia o sol brilhava de tanta emoção um rosto lindo como o verão e um beijo aconteceu nos encontramos à noite passeamos por aí e num lugar escondido outro beijo lhe pedi lua de prata no céu o brilho das estrelas no chão tenho certeza, que não sonhava a noite linda continuava e a voz tão doce que me falava 'o mundo pertence a nós' e hoje a noite não tem luar e eu estou sem ela já não sei onde procurar não sei onde ela está e hoje a noite não tem luar e eu estou sem ela já não sei onde procurar onde está meu amor SERENÍSSIMA Letra: Renato Russo Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá Sou um animal sentimental Me apego facilmente ao que desperta o meu desejo Tente me obrigar a fazer o que não quero E você vai logo ver o que acontece Acho que entendo o que você quis me dizer Mas existem outras coisas Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade, Tudo está perdido mas existem possibilidades, Tínhamos a idéia, você mudou os planos Tínhamos um plano, você mudou de idéia Já passou, já passou - quem sabe outro dia. Antes eu sonhava, agora já não durmo Quando foi que competimos pela primeira vez? O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe não entendo terrorismo, falávamos de amizade. Não estou mais interessado no que sinto Não acredito em nada além do que duvido Você espera respostas que eu não tenho Mas não vou brigar por causa disso Até penso duas vezes se você quiser ficar. Minha laranjeira verde, porque está tao prateada? Foi da lua desta noite, do sereno da madrugada Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço Enquanto o caos segue em frente Com toda a calma do mundo. O TEATRO DOS VAMPIROS Letra: Renato Russo Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá (introduçao: Canon de Pachelbel) Sempre precisei de um pouco de atenção Acho que não sei quem sou Só sei do que não gosto E desses dias tao estranhos Fica a poeira se escondendo pelos cantos. Este é o nosso mundo O que é demais nunca é o bastante E a primeira vez é sempre a última chance. Ninguém vê onde chegamos: Os assassinos estao livres, nós não estamos Vamos sair - mas não temos mais dinheiro Os meus amigos todos estao procurando emprego Voltamos a viver como há dez anos atrás E a cada hora que passa Envelhecemos dez semanas. Vamos lá, tudo bem - eu só quero me divertir esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir Já entregamos o alvo e artilharia Comparamos nossas vidas E esperamos que um dia Nossas vidas possam se encontrar. Quando me vi tendo de viver comigo apenas E com o mundo Você me veio como um sonho bom E me assustei Não sou perfeito Eu não esqueço A riqueza que nós temos Ninguém consegue perceber E de pensar nisso tudo, eu, homem feito Tive medo e não consegui dormir Vamos sair - mas não temos mais dinheiro Os meus amigos todos estao procurando emprego Voltamos a viver como há dez anos atrás E a cada hora que passa Envelhecemos dez semanas. Vamos lá, tudo bem - eu só quero me divertir Esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir Já entregamos o alvo e artilharia Comparamos nossas vidas E mesmo assim, não tenho pena de ninguém. On The Way Home / Rise Letra "On The Way Home": Neil Young / John Lydon Letra "Rise": Nill Laswell When the dream came I held my breath with my eyes closed I went insane, Like a smoke ring day When the wind blows Now I won't be back till later on If I do come back at all But you know me, and I miss you now. In a strange game I saw myself as you knew me When the change came, And you had a Chance to see through me Though the other side is just the same You can tell my dream is real Because I love you, can you see me now. Though we rush ahead to save our time We are only what we feel And I love you, can you feel it now. I could be wrong I could be right I could be black I could be white I could be right I could be wrong I could be white I could be black Your time has come your second skin The cost so high the gain so low Walk through the valley The written worksalie May the road rise with you Anger is an energy Head On Letra: William Reid / James Reid As soon as I get my head 'round you I come around catching sparks off you I get an eletric charge from you That's second hand living it just won't do And the way I feel tonight I could die and I wouldn't mind And there's something going on inside Makes you wanna feel Makes you wanna try Makes you wanna blow the stars from the sky I can't stand up I can't cool down I can't get my head off the ground As soon as I get my head 'round you I come around catching sparks off you And all I ever got from you Is all I ever took from you And the world could die in pain And I wouldn't feel no shame And there's nothing holding me to blame Makes you wanna feel Makes you wanna try Makes you wanna blow the stars from the sky I'm taking myself to the dirty part of town Where all my troubles can be found The Last Time I Saw Richard Letra: Joni Mitchel Last time I saw Richard was Detroit in '68 And he told me all romantics meet the same fate some day Cynical and drunk and boring someone in some dark café You laugh, he said you think you're immune, go look at your eyes They're fool of moon You like roses and kisses and pretty men to tell you All those pretty lies, pretty lies When you gonna realize they're only pretty lie Only pretty lies, just pretty lies He put a quarter in the wurlitzer, and he pushed Three buttons and the thing began to whirl And a barmaid came by a fishnet stocking and a bow tie And she said "drink up now it's getting time to close." "Richard, haven't really changed," I said You've got tomb in your eyes, but the songs You punched are dreaming Listen, they sing of love so sweet When you gonna get yourself back on your feet? Oh and love can be so sweet, love so sweet Richard got married to figure skater And he bought her a dishwasher and a coffee percolator And he drinks at home now most nights with the tv on And all the house lights left up bright I'm gonna blow this dam candle out I don't want nobody comin' over to my table I got nothing to talk to anybody about All good dreamers pass this away some day Hidin' behind bottles in dark cafes darkcafes only a dark cocoon before I get my gorgeous wings and fly away only a phase, these dark cafe days METAL CONTRA AS NUVENS Letra: Renato Russo Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá I Não sou escravo de ninguém Ninguém senhor do meu domínio Sei o que devo defender E por valor e tenho E temo o que agora se desfaz. Viajamos Sete léguas Por entre abismos e florestas Por Deus nunca me vi tao só É a própria fé o que destrói Estes sao dias desleais. Sou metal - raio, relâmpago e trovão Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão Sou metal: me sabe o sopro do dragão. Reconheço o meu pesar: Quando tudo é traição O que venho encontrar É a virtude em outras mãos. Minha terra É a terra que é minha E sempre será Minha terra Tem a lua, tem estrelas e sempre terá II Quase acreditei na sua promessa E o que vejo é fome e destruição Perdi a minha sela e a minha espada Perdi o meu castelo e minha princesa Quase acreditei, quase acreditei E, por honra, se existir verdade Existem os tolos e existe o ladrão E há quem se alimente do que é roubo. Mas vou guardar o meu tesouro Caso você esteja mentido Olha o sopro do dragão. III É a verdade o que assombra, O descaso o que condena, A estupidez o que destrói. Eu vejo tudo o que se foi E o que não existe mais. Tenho os sentidos já dormentes, O corpo quer, a alma entende. Esta é a terra-de-ninguém E sei que devo resistir Eu quero a espada em minhas mãos Sou metal - raio, relâmpago e trov~ao Sou metal, eu sou o ouro em seu bras~ao Sou metal: me sabe o sopro do dragão. Não me entrego sem lutar Tenho ainda coração Não aprendi a me render Que caia o inimigo então. IV Tudo passa, tudo passará E nossa estória, não estará Pelo avesso assim Sem final feliz. Teremos coisas bonitas pra contar. E até lá, vamos viver Temos muito ainda por fazer. Não olhe para trás Apenas começamos O mundo começa agora Apenas começamos. HÁ TEMPOS Letra: Renato Russo Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá Parece cocaína mas é só tristeza, talvez tua cidade. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão. E o descompasso e o desperdício herdeiros são agora da virtude que perdemos. Há tempos tive um sonho. Não me lembro não me lembro. Tua tristeza é tão exata. E hoje o dia é tão bonito. Já estamos acostumados. A não termos mais nem isso. Sonhos vem. E sonhos vão. O resto é imperfeito. Disseste que se tua voz tivesse força igual A imensa dor que sentes Teu grito acordaria não só a tua casa Mas a vizinhança inteira. E há tempos nem os santos Tem ao certo a medida da maldade. E há tempos são os jovens que adoecem. Há tempos o encanto esta ausente. Há ferrugem nos sorrisos. E só o acaso estende os braços A quem procura abrigo e proteção. Meu amor, Disciplina é liberdade. Compaixão é fortaleza. Ter bondade é ter coragem. E ela disse: - lá em casa tem um poço mas a água é muito limpa. EU SEI Letra: Renato Russo Música: Renato Russo Sexo verbal não faz meu estilo Palavras são erros e os erros são seus Não quero lembrar que eu erro também Um dia pretendo tentar descobrir Porque é mais forte quem sabe mentir Não quero lembrar que eu minto também Eu sei Feche a porta do seu quarto Porque se toca o telefone pode ser alguém Com quem você quer falar Por horas e horas e horas A noite acabou, talvez tenhamos que fugir sem você Mas não, não vá agora, quero honras e promessas Lembranças e estórias Somos pássaro novo longe do ninho Eu sei FAROESTE CABOCLO Letra: Renato Russo Música: Renato Russo Não tinha medo o tal João de Santo Cristo Era o que todos diziam quando ele se perdeu Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu Quando criança só pensava em ser bandido Ainda mais quando com tiro de soldado o pai morreu Era o terror da cercania onde morava E na escola até o professor com ele aprendeu Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar Sentia mesmo que era mesmo diferente Sentia que aquilo ali não era o seu lugar Ele queria sair para ver o mar E as coisas que ele via na televisão Juntou dinheiro para poder viajar E de escolha própria escolheu a solidão Comia todas as menininhas da cidade De tanto brincar de médico aos doze era professor Aos quinze foi mandado pro reformatório Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror Não entendia como a vida funcionava Descriminação por causa da sua classe e sua cor Ficou cansado de tentar achar resposta E comprou uma passagem foi direto a Salvador E lá chegando foi tomar um cafezinho E encontrou um boiadeiro com quem foi falar E o boiadeiro tinha uma passagem Ia perder a viagem mas João foi lhe salvar: Dizia ele "-Estou indo pra Brasília Nesse país lugar melhor não há Tî precisando visitar a minha filha Eu fico aqui e você vai no meu lugar" E João aceitou sua proposta E num înibus entrou no Planalto Central Ele ficou bestificado com a cidade Saindo da rodoviária viu as luzes de natal "- Meu Deus mas que cidade linda! No Ano Novo eu começo a trabalhar" Cortar madeira aprendiz de carpinteiro Ganhava cem mil pro mês em Taguatinga Na sexta feira foi pra zona da cidade Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador E conhecia muita gente interessante Até um neto bastardo do seu bisavî Um peruano que vivia na Bolivia E muitas coisas trazia de lá Seu nome era Pablo e ele dizia Que um negócio ele ia começar E Santo Cristo até a morte trabalhava Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar E ouvia às sete horas o noticiário Que dizia sempre que seu ministro ia ajudar Mas ele não queria mais conversa E decidiu que como Pablo ele ia se virar Elaborou mais uma vez seu plano santo E sem ser crucificado a plantação foi começar Logo logo os maluco da cidade Souberam da novidade "-Tem bagulho bom ai!" E João de Santo Cristo ficou rico E acabou com todos os traficantes dali Fez amigos, frequentava a Asa Norte Ia pra festa de Rock pra se libertar Mas de repente Sob um má influência dos boyzinhos da cidade Começou a roubar Já no primeiro roubo ele dançou E pro inferno ele foi pela primeira vez Violência e estupro do seu corpo "-Vocês vão ver, eu vou pegar vocês!" Agora Santo Cristo era bandido Destemido e temido no Distrito Federal Não tinha nenhum medo de polícia Capitão ou traficante, playboy ou general Foi quando conheceu uma menina E de todos os seus pecados ele se arrependeu Maria Lúcia era uma menina linda E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu Ele dizia que queria se casar E carpinteiro ele voltou a ser "-Maria Lúcia eu pra sempre vou te amar E um filho com você eu quero ter" O tempo passa E um dia vem na porta um senhor de alta classe com dinheiro na mão E ele faz uma proposta indecorosa E diz que espera uma resposta, uma resposta de João "-Não boto bomba em banca de jornal E nem em colégio de criança Isso eu não faço não E não protejo general de dez estrelas Que fica atrás da mesa com o cu na mão E é melhor o senhor sair da minha casa Nunca brinque com um peixe de ascendente escorpião" Mas antes de sair, com ódio no olhar O velho disse: "-Você perdeu a sua vida, meu irmão!" "-Você perdeu a sua vida, meu irmão" "-Você perdeu a sua vida, meu irmão" Essas palavras vão entrar no coração "-Eu vou sofrer as consequências como um cão." Não é que o Santo Cristo estava certo Seu futuro era incerto E ele não foi trabalhar Se embebedou e no meio da bebedeira Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar Falou com Pablo que queria um parceiro Que também tinha dinheiro e queria se armar Pablo trazia o contrabando da Bolívia E Santo Cristo revendia em Planaltina Mas acontece que um tal de Jeremias Traficante de renome apareceu por lá Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo E decidiu que com João ele ia acabar. Mas Pablo trouxe uma Winchester 22 E Santo Cristo já sabia atirar E decidiu usar a arma só depois Que Jeremias começasse a brigar Jeremias maconheiro sem vergonha Organizou a Roconha e fez todo mundo dançar Desvirginava mocinhas inocentes E dizia que era crente mas não sabia rezar E Santo Cristo há muito não ia pra casa E a saudade começou a apertar "-Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia Já está em tempo de a gente se casar" Chegando em casa então ele chorou E pro inferno ele foi pela segunda vez Com Maria Lúcia Jeremias se casou E um filho nela ele fez Santo Cristo era só ódio pro dentro E então o Jeremias pra um duelo ele chamou "-Amanhã, as duas horas na Ceilândia Em frente ao lote catorze é pra lá que eu vou E você pode escolher as suas armas Que eu acabo com você, seu porco traidor E mato também Maria Lúcia Aquela menina falsa pra que jurei o meu amor" E Santo Cristo não sabia o que fazer Quando viu o reporter da televisão Que a notícia do duelo na TV Dizendo a hora o local e a razão No sábado, então as duas horas Todo o povo sem demora Foi lá só pra assistir Um homem que atirava pelas costas E acertou o Santo Cristo E começou a sorrir Sentindo o sangue na garganta João olhou as bandeirinhas E o povo a aplaudir E olhou pro sorveteiro E pras câmeras e a gente da TV que filmava tudo ali E se lembrou de quando era uma criança E de tudo o que viveu até aqui E decidiu entar de vez naquela dança "-Se a via-crucis virou circo, estou aqui." E nisso o sol cegou seus olhos E então Maria Lúcia ele reconheceu Ela trazia a Winchester 22 A arma que seu primo Pablo lhe deu "-Jeremias, eu sou homem. Coisa que você não é Eu não atiro pelas costas, não. Olha pra cá filha da puta sem vergonha Dá uma olhada no meu sangue E vem sentir o teu perdão" E Santo Cristo com a Winchester 22 Deu cinco tiros no bandido traidor Maria Lúcia se arrependeu depois E morreu junto com João, seu protetor O povo declarava que João de Santo Cristo Era santo porque sabia morrer E a alta burgesia da cidade não acreditava na história Que ele viram da TV E João não conseguiu o que queria Quando veio pra Brasília com o diabo ter Ele queria era falar com o presidente Pra ajudar toda essa gente que só faz Sofrer |
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Skooter 1998 - 2008 |
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